29 de julho de 2013 Tag: , ,

Por onde anda a ternura e os sentimentos?

Sentimentos sempre nos deixam vulneráveis, verdade seja dita; não é a toa que muitas pessoas dizem naquele tom de quero-mas-não-quero que “deixar de sentir” seria o melhor acontecimento de suas vidas. Desprezamos tanto os tais que fazemos de tudo para esconde-los, logo num mundo tão cruel onde esses mesmos sentimentos são necessários.

Recordo de outro dia ter lido em algum lugar que a crueldade das pessoas tornava outras pessoas insensíveis, fazendo crer que tudo isso é um ciclo vicioso de uma sociedade vil. Convenhamos que tem sim um quê de verdade, afinal precisamos aprender a conviver com tantas notícias ruins, em meio à esse mundo emaranhado no caos, que com isso enrijecemos. Darwin explica, precisamos de pessoas “duras” para viver num mundo tão “duro”. Mas apelando para o clichê em minha justificativa que vai parecer de tudo menos neutra: Temos que ser durões sim, só que sem perder a ternura jamais – espero que Che perdoe a paráfrase.

sentimentos são o melhor abraço do mundo

SENTIMENTOS EM UM ABRAÇO

Primeiro o mundo nos tira a inocência. A infância tão amada, doce, oras amarga, fica para trás num só pulo, e precisamos aprender a conviver com pessoas nos julgando durante a maior parte do dia quando damos de cara com a pré adolescência. Em meio a esses julgamentos, muitos deles serão negativos, muitos deles serão pré conceitos (assim mesmo, separado), e muitos deles irão nos magoar no momento para mais tarde enrijecer.

Outro momento que nos marca nessa mocidade é o reconhecimento do coração. 

sentimentos em forma de coração

Eis que conhecemos alguém por quem nosso coração palpita, e perdemos o ar e sambamos no molhado só para conseguir uns segundos da atenção da pessoa… Para logo em seguida ter o coração partido com a chegada do primeiro amor. É nesse momento, entre o fim da infância e o inicio da fase adulta em que nossa figura de pedra é formada. Uma grande amiga minha costuma dizer que “se a base é forte, o resto também será forte”, e é verdade. Se dentro de si conseguir manter a mente sã, irá aguentar as malevolências do mundo. Mas quando a base “ainda não secou”, pode ser que um abalo de estruturas derrube tudo o que tem dentro. E é por isso que serei oposta à todas as manifestações “anti-sentimento”. Porque tais manifestações são as que mais contém sentimento, ora. São logo as de pessoas que estão passando por um desespero tão grande que fica impossível carregar qualquer coisa que não seja sua dor. Claro que em meio a essas pessoas existem apenas aqueles que conseguem sentir sem derramar-se pelo chão, e creio que essa seria uma solução muito melhor que “preciso parar de sentir”, o “preciso conseguir sentir sem derramar pelo chão” não é radical, fica meio termo, e a pessoa continua com as características que precisamos tanto como humanos: o sentir.

Seja aquele tédio enquanto abana o cursor do mouse de um lado ao outro, seja uma leviana empolgação enquanto brinca com jogos de salão de beleza ou o que for; seja algo mais profundo como a tristeza de uma perda, ou também a pele queimando pelo toque de alguém que amamos. Todos os sentimentos valem a pena, e todos os sentimentos, todos, devem ser sentidos. Raiva? Por que não? Sem a raiva não teríamos metade das músicas que existem hoje, além do mais, raiva é sempre seguida de certa paixão, e para a paixão eu digo sempre.

Quanto mais tentamos dar as costas aos sentimentos, mais entregues a eles estamos, deixo o exemplo do filme cômico “Abaixo o amor”. Vamos enrijecer sim, mas vamos tentar não perder a ternura, visto que é com essa ternura que faremos o mundo continuar caminhando para o bem. 

 Abraços!

 

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